Provocações

          Caro leitor, desculpe nossa insistência em colocar como prioridade máxima a necessidade de conhecermos o átomo indivisível, mas acredito que a atitude se justifica pela importância fundamental que ele representa no contexto universal para o conhecimento de nossa natureza humana e divina bem como para o conhecimento da realidade sobre a ciência, a política e a religião.

       A nossa pesquisa se refere exclusivamente ao átomo (gr. indivisível) democritiano o “ser indivisível” — em oposição ao modelo padrão da física moderna que equivocadamente, confunde núcleo atômico com átomo divisível.

       Com base na equação einsteiniana, podemos afirmar que o átomo representa a essência de todas as coisas, ele é o ser absoluto que forma a totalidade do universo, portanto sua dinâmica representa o objeto de estudo para todas as disciplinas acadêmicas.

       No Universo, nada existe além ou aquém do átomo, assim, não podemos nos eximir de sermos francos e objetivos ao afirmar — ou conhecemos o átomo e sua dinâmica, ou nada conhecemos.

       Se você é um docente e se vangloria por ter alcançado a maior formação acadêmica, parabéns, mas se você não conhece a dinâmica do átomo indivisível, então seus conhecimentos são apenas periféricos, fadados á ineficácia e insuficientes para responder ás perguntas elementares do autoconhecimento, como por exemplo:

Quem somos nós? De onde viemos? Qual nosso propósito? Para onde vamos?

       O átomo democritiano foi anunciado há milênios, assim como a equação einsteiniana é centenária, mas tanto a equação quanto o átomo, continuam incompreendidos pela grande maioria que faz parte da cúpula da comunidade científica.

         Pelo que podemos depreender do atual modelo padrão o cientista contemporâneo ainda não despertou para o conhecimento da essência de sua disciplina.

       A teoria mais importante da física moderna, a teoria da relatividade, (E=mc²) não foi contemplada pelo comitê suíço, do prêmio Nobel simplesmente porque ela não foi compreendida em sua essência nem mesmo pelos seus pares. No entanto, seu maior opositor, Niels Bohr (1922) foi agraciado com o prêmio Nobel pelo modelo atômico orbital, erroneamente interpretado como sendo um átomo divisível. (Einstein — Sua vida, seu Universo — Walter Isaacson pg. 326)

        Sem conhecer o átomo indivisível a ciência não pode ser inaugurada e o cientista se limita apenas a descrever o fenômeno, mas não o explica. Com o mínimo de exceção, podemos afirmar que:

        §   O cientista da física moderna aceitou equivocadamente o modelo padrão do átomo divisível, por conta disso ainda vive no mito da caverna platônica. Em pleno século XXI ele continua procurando a partícula de Deus (bóson de Higgs) na vã esperança de explicar ao mundo o que já está explícito na centenária equação einsteiniana, portanto, ainda não conhece a essência de sua disciplina.

        §   O cientista político descreve a política, mas esquece a natureza politômica (classificação homógrafa em relação a mais de um atributo) do ser humano. Não percebe a interação natural que existe entre a ciência, a política e a religião. Também não explica como é a dinâmica da ética humana, portanto não conhece a essência de sua disciplina.

        §   O teólogo descreve, mas não explica como é a dinâmica interativa que existe entre a divindade, o homem e Deus. Seus fundamentos repousam na areia movediça da religião criada pelo homem (religare) e esquece a religiosidade (relígio) científica que nasce da dinâmica da ética como um atributo natural e genuíno de causa e efeito inerente a todo o ser humano, independente de suas crenças. Assim, não conhece a essência de sua disciplina.

      

       Um texto muito importante que trata do assunto, intitulado “Ciência e o Limite da Explicação” foi publicado no “The New York Review of Books” — Também foi publicado no “Mais” da Folha de São Paulo em 21 de julho de 2001.

       Os falsos paradigmas que permanecem no âmago das elites da ciência da política e da religião, como se fossem cláusulas pétreas, são os responsáveis pelas conseqüências nefastas e pelo sofrimento que grande parte da humanidade está obrigada a suportar.

       Para reconhecer os novos paradigmas e tomar parte da nova era, a era do homo ethicus, a ciência deve ser compreendida em sua essência — o cientista deve avançar além dos conhecimentos periféricos — somente conhecer a substância e a aparência das coisas não é o suficiente, ele deve chegar ao cerne da questão com o perfeito conhecimento da essência das coisas.

       Em princípio, devemos aceitar que a molécula nuclear, erroneamente denominada pelos cientistas modernos “átomo divisível do modelo padrão” não é, nem nunca foi, um átomo, mas sim, um núcleo atômico formado pela aglomeração de um grande número de átomos numa estrutura complexa, (elétrons, prótons e nêutrons) separável em grupos menores denominados erroneamente partículas elementares.

       Demócrito de Abdera, considerado o pai do átomo, afirma que o átomo não sente os efeitos do ambiente em que se encontra e em relação ao mesmo, sabiamente, assim se manifesta:

       “Nenhum átomo pode aquecer-se ou resfriar-se, ressecar-se ou umedecer-se, tornar-se branco ou preto ou receber outras qualidades por qualquer modificação que queira” (Antologia Ilustrada da Filosofia — Ubaldo Nicola — 2010 — pág.36)

       É notório que o Mapa Conceitual das Partículas Elementares (MCPE) não representa partes fracionadas de átomos, mas representa sim, aglomerados atômicos formados de átomos inteiros e indivisíveis.

       O MCPE nunca poderia representar partículas de átomos divisíveis rompidos pelo impacto provocado pela colisão ou por qualquer outro processo, simplesmente porque, tais átomos, não existem em estado livre e muito menos na forma divisível.

       Podemos afirmar que, sob a ótica quântica, não existe, no universo, nenhuma substância (molécula) divisível, e muito menos átomos divisíveis, e isto faz toda a diferença.

No Universo ninguém pode:

  • Criar, extinguir ou dividir um átomo, mas pode lidar com núcleos atômicos.
  • Criar ou extinguir uma vida, mas pode lidar com entes viventes.
  • Criar ou extinguir a religiosidade humana, mas pode lidar com encantos ou desencantos, sentimentos e emoções.

       Na ilusão de dividirmos uma molécula não teremos partículas de sua substância, ela simplesmente deixa de existir na sua origem substancial. Ex: nunca teremos uma partícula de água, ou ela existe inteira na forma de uma molécula de água O ou sua substância deixa de existir, em decorrência, teremos outras substâncias (oxigênio e hidrogênio) que não poderão saciar nossa sede.

       O mesmo acontece com todas as moléculas que compõem a tabela periódica dos elementos químicos.

       Muito mais obscuro é pensar num átomo divisível, pois ele é pura essência, nunca será substância. A substância surge da quantidade e do arranjo entre os núcleos atômicos que participam da molécula.

       Se o átomo realmente fosse divisível não poderia existir o atributo humano denominado divindade, que representa o elã vital, (impulso vital que origina o ente vivente). Tudo seria um caos, a vida não poderia existir, não haveria ninguém para perguntar: de que são feitas as partículas elementares?

       A quase imposição da idéia do átomo divisível ocorreu durante as disputas acirradas entre os cientistas envolvidos, principalmente durante as reuniões da Solvay em Copenhagen na Dinamarca, entre Niels Bohr e Albert Einstein — (Walter Isaacson — Companhia das Letras — 2007— Einstein – Sua vida seu universo)

       Niels Bohr, nas discussões acaloradas com Einstein, argumentava e defendia o princípio da incerteza, com o qual Einstein nunca concordou.

       Reconhecemos que o empirismo aplicado pelo homo sapiens-sapiens ao modelo padrão contribuiu para desenvolver alguns conhecimentos relativos à substância e a aparência, das coisas, mas nada contribuiu para o conhecimento da essência que é imanente a todo o universo.

       O modelo padrão trata da coisa, mas não trata da essência da coisa, e se distancia cada vez mais da realidade. É uma teoria que não se sustenta, se desfaz no equívoco das partículas elementares, e pouco ou nada, pode contribuir para o verdadeiro conhecimento que poderia desvendar os mistérios do universo.

       Penso que seria muito mais coerente e lógico aceitarmos o suposto átomo “modelo padrão” como sendo uma molécula nuclear — jamais sua denominação poderia ser “átomo divisível” — por incorrer numa clara contradição etimológica, atômica, matemática e física — como podemos notar a seguir:

  • Contradição etimológica: a palavra átomo, de origem grega, significa indivisível, portanto nunca poderia denominar algo divisível.
  • Contradição atômica: a ciência moderna não faz distinção entre as moléculas formadas de átomos em simetria perfeita (moléculas atômicas – interação que não tomou parte do Big Bang) das moléculas formadas pela aglomeração caótica entre átomos assimétricos (moléculas nucleares – interação que tomou parte do Big Bang).
  • Contradição matemática: não distingue a equação nuclear que representa as quantidades relativas (E=mc²) da equação atômica que representa a unidade absoluta (E=m/c²).
  • Contradição física: não distingue a entidade formada de aglomerados atômicos (quantidades) denominada molécula nuclear que representa a substância — da entidade denominada átomo que representa a essência.

       Nossa tese se sustenta na equação einsteiniana e no respaldo da coerência lógica e unânime que brota das observações apresentadas pelos maiores corifeus da história da ciência ao definirem a unidade primordial, como segue:

a)   Unidade primordial anaximandriana (ápeiron)

b)  Unidade primordial milesiana (arqué)

c)    Unidade primordial democritiana (átomo)

d)  Unidade primordial pitagórica (unidade numérica)

e)   Unidade primordial aristotélica (homeomeria)

f)     Unidade primordial leibnitziana (mônada)

g)   Unidade primordial stepheniana (espaço/tempo)

h)  Unidade primordial einsteiniana (Km/s)

       Como podemos notar que, entre os principais sábios de todos os tempos, há uma coerência lógica convergente na intuição da unidade primordial. Todas remetem para uma entidade única representada pelo átomo formado da energia universal denominada espaço/tempo.

       O grande pensador geômetra e matemático Demócrito de Abdera (460 a. C. — 370 a. C.) considerado o pai do átomo assim o definiu:

       “O movimento existe porque eu penso e o pensamento tem realidade. Mas se há movimento deve haver um espaço vazio, o que equivale dizer que o não-ser é tão real quanto o ser. O não-ser é, portanto também o pleno. Se toda a grandeza fosse divisível ao infinito, não haveria mais nenhuma grandeza, não haveria mais o ser. Se deve subsistir o ser é preciso que a divisão não possa ir ao infinito. Mas o movimento demonstra o ser tanto quanto o não-ser. Se somente o não-ser existisse, não haveria o movimento. O que resta são os átomos. Portanto, o ser é a unidade indivisível. Mas, se esses ‘seres’ devem agir uns sobre os outros é preciso que sejam de natureza idêntica. O ser deve ser semelhante a si mesmo, em todos os pontos. Se um átomo fosse o que o outro não é haveria um não ser, o que é uma contradição”.

       Segundo a Teoria da Gravidade Quântica, (TGQ) se toda a grandeza fosse divisível ao infinito haveria simetria entre o infinitamente grande e o infinitamente pequeno e o resultado seria o nada.

       Huberto Rohden cientista filósofo e escritor em seu livro EINSTEIN — O Enigma do Universo (1989 — 6ª edição, pag. 231) assim define o átomo:

       “O verdadeiro átomo, o átomo indivisível (ou atômico) não é algo físico, material. Séculos antes da era cristã, o grande pensador helênico Demócrito de Abdera, concebeu um átomo realmente atômico ou indivisível, que não tinha caráter físico, quantitativo, mas era de dimensão metafísica, qualitativa, como sendo a base e quintessência do Universo”

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